27/04/2012

A Ficção Científica no Cinema - Parte 2 - O Início do Cinema



                  Apesar de grande parte dos filmes de Ficção Científica serem baseados em obras literárias, o primeiro filme considerado do gênero é um roteiro original. Trata-se de Viagem à Lua de Georges Méliès, um ilusionista francês que assistiu à exibição do cinematógrafo dos irmãos Lumiére, com os filmes da chegada do trem à estação e a saída dos trabalhadores da fábrica. Méliès ficou impressionado com o potencial do aparelho. Após adquiri-lo, concebeu o filme Viagem à Lua em 1902.  A partir daí, filmes utilizando-se de cenários futuristas, maquiagens, figurinos e efeitos visuais passaram a fazer parte do cinema fantástico.
                  Alguns anos depois, foram lançados filmes considerados como Ficção Científica mas que foram esquecidos por não serem tão bem concebidos e recebidos, é o caso por exemplo de The Doctor`s Experiment (1908), L`èlectrocuté (1911) e outros. Em 1916 temos uma das primeiras adaptações de obras literárias do gênero, uma das obras máximas de Julio Verne, 20000 Léguas Submarinas. Começam então as produções de filmes adaptados em obras literárias, como O Médico e o Monstro (1920) do livro de Robert Louis Stevenson, The Lost World (1925) do livro de Sir Arthur Conan Doyle e Frankenstein (1931) da obra de Mary Shelley. Em 1931 também temos uma das primeiras refilmagens do cinema, O Médico e o Monstro, que assim como no original, a utilização da maquiagem é imprescindível para a narrativa da história.
                  Pouco antes, no final da década de 20, o cineasta Fritz Lang concebe filme que é reconhecido como um dos mais importantes da Ficção Científica e do cinema. Metropolis (1927) utiliza-se de cenários, figurinos, maquiagens, miniaturas e maquetes para criar os efeitos visuais em uma época que o próprio setor de efeitos ainda engatinhava na criação do imaginário, de algo distante, porém plausível, aproveitando-se para fazer criticas à sociedade e à política de industrialização que no início do século era um dos principais causadores de desemprego e previa a dependência quase total da máquina pelo ser humano.
                  As continuações e refilmagens de filmes passaram a ser fortemente explorados, como A Noiva de Frankenstein (1935) e O Filho de Kong (1933), este sendo uma espécie de continuação vagabunda do clássico King Kong (1933) que diferentemente do original, que não pode ser considerado ficção-científica por não conter ciência e/ou tecnologia para explicar a história, utiliza-se de uma tecnologia plausível como máquinas e equipamentos diversos.
                  Observando que o mercado cinematográfico de Ficção Científica arrecadava uma boa quantidade de dinheiro, mesmo com continuações diretas (ou tentativas) e refilmagens, os estúdios passaram a fazer variações de personagens e temas de outros filmes originais ou adaptados, criando novas histórias para explorarem, além também de utilizarem as histórias em quadrinhos. Nestes casos, se enquadram os filmes O Filho de Frankenstein (1939), A Mulher Invisível (1940) e a adaptação das histórias em quadrinhos de Flash Gordon, com uma primeira aparição em 1936 e seguindo-se com outras aventuras do herói intergaláctico em 1938, 1940 e assim em diante.
                  Podemos notar que até três décadas após os primeiros filmes de Ficção Científica, grandes nomes do gênero apareceram, sejam eles originais, adaptados, continuações, refilmagens e diversificações de temas e personagens, mas acabaram ficando esquecidos quando os filmes de horror e suspense (estes às vezes continham traços gênero, mas a essência principal era horror e suspense) por pouco mais de uma década, até que a Ficção Científica retornasse com força gradual até emplacar novos e grandes títulos nos cinemas.


Continua...

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...