03/08/2012

O Cavaleiro das Trevas Escorrega

            Padre, eu pequei. Meu crime foi o de não gostar tanto quanto os defensores histéricos de Nolan do ultimo capitulo de sua visão sobre o homem-morcego.

            Primeiramente, devo dizer que não acho “O Cavaleiro das Trevas Ressurge” um filme ruim. De forma alguma. Ele mantém o clima dos filmes anteriores, tanto na fotografia quanto na estética realista que Nolan se comprometeu a nos dar. Ah, isso, claro, quando ele não decide ter diarreia mental e avançar o filme com artifícios de roteiros pobres que, sinceramente, eu poderia encarar facilmente em muitos outros filmes, mas não da continuação de um filme como “O Cavaleiro Das Trevas”, e muito menos de uma continuação com o MESMO diretor.

            O filme tem coisas boas a seu favor, e a maior delas está na segurança do elenco – impossível um filme ruir quando o alicerce é formado por atores talentosos que já estão confortáveis nos seus personagens. Assim, Christian Bale, Michael Caine e Gary Oldman seguram um longa desnecessariamente inchado, que poderia ter tido facilmente uma história mais enxuta.

            Começando por aspectos técnicos, o que mais me chamou a atenção foi o tanto que as cenas de ação foram simplesmente genéricas.  Elas não contém nada da tensão e da imaginação das do filme anterior – quem não ficou boquiaberto quando Batman fez o caminhão que transportava o Coringa tombar de ponta-cabeça?  O que sobra aqui são perseguições banais em uma Gotham plenamente iluminada, sem qualquer energia ou qualquer senso de urgência.

            O outro problema técnico que eu quero abordar é um que me deixou confuso, pois eu achei que já tivesse sido resolvido no filme anterior. Era um mal que tomava também “Batman Begins” – porque as lutas são tão lentas e duras? A primeira luta entre Bane e Batman, por exemplo, não se beneficia em nada dos planos mais longos com os quais ela foi gravada – apenas deixa mais aparente a dificuldade de locomoção de Bale dentro do uniforme de borracha. Agora compare isso com as cenas de luta do filme anterior, que fluem muito melhor tanto em coreografia como na edição. O único aspecto redentor é o desenho de som, que continua magnífico e reproduz bem a sensação de cada impacto dos golpes, principalmente dos de Bane.

            Falando neste, um outro aspecto que me deixou triste, mas reconheço ser mais uma picuinha pessoal, é na construção desse vilão. Não li as histórias do Morcego, e me baseio pelos longas de Nolan, mas lembro que, na época do lançamento do carnavelesco “Batman e Robin”, diversos fãs se mostraram decepcionados com o vilão sendo relegado a um capanga hiper-bombado. Antes de qualquer coisa, é claro que Nolan construiu aqui um personagem muito melhor do que o do longa de 1997, mas isso não é dizer nada, pois não é preciso de muito para isso. Mas me entristece aqui é que, no final das contas, ele continua sendo um capanga bombado E muito inteligente. A decisão de justificar as ações dele com o amor que sente por Talia é, no mínimo, redundante, já que as próprias intenções anarquicas do personagem, tanto nas HQs como no próprio filme, já servem de antagonismo suficiente para Batman/Bruce.  O principal problema disso é a necessidade que cria de investir tempo na personagem de Talia Al Ghul, fato que ajuda a inchar um filme já desnecessariamente longo.

            Outro detalhe sobre Bane, é a voz. Certamente um detalhe subjetivo, mas me custa a acreditar que as pessoas possam se sentir intimidadas por alguém que fala como se fosse Ian Mckellen ou Sean Connery narrando algum livro de Charles Dickens. O sotaque do personagem é tão forçado que quase quebra  a barreira entre essa encarnação “pé no chão” do Cavaleiro de Gotham e as tentativas muito mais cartunescas de suas adaptações anteriores para o cinema.

            Outro personagem pessimamente aproveitado é Selena Kyle, a Mulher-Gato.  Não obstante usar o personagem para introduzir momentos de humor que não funcionam (ao menos não comigo ou com a plateia com quem assisti ao filme), o resto dos momentos que se utilizam dela poderiam ter sido resolvidos de outra forma, sem a necessidade de adicionar um novo personagem. Não digo que eu ache que a personagem não devesse ter sido inserida na trama de forma absoluta, só imagino que poderiam ter dado ela alguma necessidade substancial. E nem é necessário comentar a química romântica nula, mas inserida quase forçosamente, entre ela e Batman.

            Talvez o único personagem se justifique seja o futuro Robin de Joseph-Gordon Lewitt, afinal, ele é uma extensão dos braços de Gordon em Gotham quando este está se recuperando no hospital.

            Por fim, reservo agora um tempo ao aspecto que julguei ser mais preguiçoso: as resoluções das situações. Primeiramente, precisamos mesmo que o longa nos mostre o Bat-Roupeiro de Wayne a cada momento em que ele vai se transformar no seu alter-ego? Exatamente antes de cada cena na qual Batman vai agir, isso é mostrado. São detalhes como esse que enfraquecem a trilogia, que no seu segundo filme mostrou uma sofisticação jamais vista num filme de super-heróis – não é a toa que “O Cavaleiro das Trevas” fosse comparado a um “Fogo Contra Fogo” com Batman e Coringa no lugar dos personagens de DeNiro e Pacino.

            Mas o que temos aqui? Vilões expondo seus desígnios maléficos para herói na hora H. Alguém se lembra de alguma cena tão gratuitamente expositiva no filme anterior quanto a que sucede a facada que Talia desfere em Batman, numa reviravolta num clima de “M.Night Shyamalan” por parte de Nolan? Com direito a até lagriminhas de Bane, logo após.  Uma cena que eu jamais esperaria desta trilogia. E se essa cena não fosse ruim já por si só, é seguida por um momento de conveniência enorme – Selena Kyle aparece e desfere um tiro em Bane no ultimo segundo. O grande vilão, construído com quase metade do tempo do filme, é morto da forma mais hilariantemente anticlimática possível.

            Mas o pior ainda está por vir: uma bomba está para explodir Gotham, com um contador de... 5 meses, e, é claro, Bruce só consegue completar seu treinamento e a subsequente viagem de sua prisão na África faltando 12 horas para a explosão – tensão e clímax criados da maneira mais vagabunda e sem-vergonha do que eu jamais imaginaria do cara que nos deu “Amnésia” e “A Origem”.

            Mas talvez a cena mais marcante, para mim, que ilustra muito bem como o roteiro é fraco, é uma que se dá na metade do filme: Gordon é encontrado ferido, depois de dar de cara com Bane nos esgotos, e conta para o personagem de Matthew Modine sobre o vilão, e o que acontece? Ninguém simplesmente lhe dá ouvidos. Essa atitude é de uma incoerência enorme com o que vem acontecendo até agora: não apenas é uma atitude incoerente com a importância que Gordon adquiriu no segundo filme. É uma saída burra para ilustrar a falta de importância de Gordon na cidade atual, mas é uma saída que estaria melhor num filme B como “Alligator” ou “A Bolha Assassina” (que os realizadores destes dois filmes divertidíssimos me perdoem), nos quais sempre há uma cena na qual alguém tenta avisar a policia do perigo iminente, do que em um filme que custou 250 milhões de dólares.

            Mas não culpo a reação do personagem em relação a declaração de Gordon. É o mesmo que eu faria se me dissessem que “O Cavaleiro das Trevas Ressurge” é tão fraco em seus pilares. Eu simplesmente me recusaria a acreditar. Que o próximo diretor (e roteirista) que apadrinhar esse personagem tão fantástico dê, de fato, o ressurgimento que ele merece.



01/08/2012

Bruce Wayne, seu Meio Bilhão e Ajude com sua Doação


            Passados 11 dias do lançamendo de The Dark Knight Rises, e 5 dias depois do lançamento mundial, o último filme da saga do Cavaleiro das Trevas já arrecadou no total pouco mais de meio bilhão de dólares. Foram $287 milhões de doletas nos EUA e mais $248 milhões no mundo todo, chegando ao total de $535 milhões.
Bale em homenagem às vítimas
            Mesmo levando em consideração a queda na expectativa de arrecadação devido ao infeliz acontecimento no Colorado, onde um homem atirou contra a platéia na estreia do filme, ainda pode-se esperar que o encerramento da saga de Batman, do diretor Christopher Nolan, chegue à marca de $1 bilhão de dólares em bilheteria.
            Motivados pela tragédia, além do próprio Christopher Nolan, o ator Christian Bale visitou o hospital onde as vítimas que sobreviveram ao massacre estão internadas. Sabe-se que várias das pessoas que morreram, sacrificaram suas vidas para salvar seus filhos e cônjuges. É nessa hora que lembramos do que Bruce Wayne, incorporado ao seu alter ego, fala no seu último filme: "Qualquer um pode ser Batman". Há algo tão significativo do que o próprio ator que pronunciou estas palavras, visitar as pessoas que sobreviveram graças aos "Batmans" da vida real? Sim! Hans Zimmer, compositor das trilhas da saga do Cavaleiro das Trevas, compôs uma música para ajudar a arrecadar doações para as vítimas do massacre. Clicando aqui, você pode ouvir um trecho da música e liberá-la ao doar algum valor apresentado na lista.

31/07/2012

Cell Count - Interview with Todd E. Freeman

            It has been more than two months since the last Fantaspoa, but the festival is still talked about. That's because in the end of the festival, Cell Count, a movie by north-american director Todd E. Freeman, was shown, in it's world premiere.
            Cinema Arregaçado saw the movie in the festival's closing session, when the director himself answered some questions, in a fun and relaxed conversation. Todd sent a "shout out" to the readers of our beloved blog.

CA - Where did the idea for Cell Count came from?

Todd - About four years ago my mom fell to the ground unconscious in a supermarket and was rushed to the hospital. She was told that a tumor had exploded in her stomach and that the cancer had essentially spread throughout her abdomen. In the upcoming months she went through chemo, we had to shave her head, and I dealt with it by daydreaming about what I would be willing to do to save her and take the cancer away. That is the genesis of the story. What would you do and who would you sacrifice to save the one you love? Well! Then it turned into putting a living creature inside to eat the sickness and regenerate healthy cells. That part didn't happen in real life. But my mother did beat the cancer and that's the best thing that has ever happened to me.

CA - How was the creative process from the conception of the script to the choice of actors and when did you start shooting?

Todd - It's always different. In the past I've always been more comfortable writing for actors that I know and love. Cell Count was very similar. I wrote most of the parts for the great actors in Oregon that I knew. We had a small casting process for a few roles, but for the most part I wrote for who I knew. We shot in December of 2010.

CA - How was the prison used as location found?

Todd - We actually got very lucky. The state of Oregon voted for a prison to be built with our tax dollars. Once it was built, Oregon voted that it wasn't worth our tax dollars to run it. It is a brand new prison that's never had one single prisoner. Once we saw the location, we knew we had to shoot there. Our Line Producer, Ethan Black, worked tirelessly to make sure that we ended up shooting there. Really, it made the movie better than it could have ever been. We are thankful.

CA - Being the movie inspired by your mother's fight against cancer, why did you choose to do it as a sci-fi thriller instead of a straight drama, as a "normal" person would do?

Todd - Ha. Funny. Someone asked me this question at the Fantaspoa Film Festival and it gave everyone in the crowd the giggles. The answer is simple. I'm weird, I guess. I've always dealt with tragedy in odd ways. I guess I always deal with everything in my life in unique ways. I filter it through my strange brain and spit something like Cell Count out creatively. So yeah, I'm not a normal person.

CA - What were the biggest difficulties you faced, including the making of the special effects?
Todd - Years ago I had meetings with Christina Kortum who ended up doing the practical and blood effects. These ideas had been swimming in my head for years and she made them translate magnificently to the screen. Without her and digital artist Mike Prosser the film would not have worked as well as it does. I'm such a huge fan of collaborating with awesome artists who are striving to be the best at what they do. I've been blessed to work with some of the most talented actors and crew on this film. Without them, quite honestly, I'm nothing.

CA - In the credits, the production is shown as "Freeman Brothers". How is your relationship with your brother in your productions, and what are the functions taken by you both?
Todd - Well for years our production company has produced both features written and directed by myself and my brother Jason. Cell Count was written and directed by me and he co-produced and co-shot the film. For his most recent feature "The Weather Outside, coming to festivals later this year, he wrote and directed and I co-produced and co-shot. We have very similar creative minds. Very little communication, in words, has to take place. We come from the same film galaxy, just not necessarily tell stories from the same planet.
CA - Cell Count has an open ending for a sequel. You want to produce this sequel? You already have an idea about how it will be? Will it be your next project or is there something else in sight?

Todd - We are hoping to make a sequel to Cell Count. It was left open ended just to make an allowance for more fun to be had with these characters and themes. I've been writing down some basic notes about the next story and have pages of script written, but nothing concrete. I can tell you that it's called "Cell Count II: 100 Miles of Bad Road". We are currently developing two features for production later this year. One is based on one of our dad's books, "The Rest of Us", and the other is Jason (Freeman) and I's first original screenplay written together which is called "Devil Rides Shotgun". We will Co-Direct both films.

            Cell Count tells the story of Russel Cameron, a man that will do everything to save his wife from a terminal disease. Both of them accept to be subject to a experiment by a doctor that claims do have survived the very same disease himself. They are confined in a prison/hospital, with another patients looking for the same cure. But there's something evil behind everything, and they must stay together to survive.
            Watch the trailer bellow, followed by the last part of the interview with one of the Fantaspoa's creators, João Pedro Fleck, and some words from Todd to the readers of Cinema Arregaçado.







30/07/2012

Cell Count - Entrevista com Todd E. Freeman

            Já se passaram mais de dois meses do Fantaspoa, mas o tema ainda peramanece atual, isso porque foi no encerramento Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre que aconteceu a premiére mundial do filme Cell Count, do diretor norte americano Todd E. Freeman.
            O Cinema Arregaçado esteve presente na sessão, onde o diretor respondeu algumas perguntas do público, numa conversa bem descontraída e divertida, além de o próprio Todd ter mandado um “Shout Out“ para os leitores do nosso querido blog.
            Leia abaixo o que Todd E. Freeman respondeu no festival, acrescentado ainda algumas perguntas feitas pelo CA.

CA – Como surgiu a ideia do filme Cell Count?
Todd - Cerca de quatro anos atrás, minha mãe caiu no chão, inconsciente, em um supermercado e foi levada às pressas para o hospital. Ela foi informada que um tumor tinha explodido em seu estômago e que o câncer tinha se espalhado por todo o abdômem. Nos meses seguintes, ela passou por inúmeras sessões de quimioterapia e tivemos que raspar sua cabeça. Eu então pensei em como lidar com aquela situação e como eu poderia ajudá-la a se curar. A essência da história é “o que você faria e sacrificaria para salvar a pessoa que você ama?”. Então desenvolvi a ideia de colocar uma criatura viva dentro do corpo da pessoa doente para se alimentar da doença e regenerar as células saudáveis. Essa parte não acontece na vida real. Mas minha mãe venceu o câncer e essa é a melhor coisa que já me aconteceu.

CA - Como foi o processo criativo, da concepção do roteiro, escolha dos atores e início das filmagens?
Todd - É sempre diferente. No passado, eu sempre fiquei mais à vontade escrevendo para os atores que eu conheço e amo. Cell Count não fui muito diferente. Eu escrevi em grande parte para as grandes atores que eu conhecia no Oregon. Tivemos testes de elenco para pequenos papéis, mas a maior parte eu escrevi para quem eu conhecia. Filmamos em dezembro de 2010.

CA – Como vocês encontraram a prisão utilizada no filme?
Todd - Nós realmente tivemos muita sorte. O estado de Oregon votou na construção de uma prisão com o dinheiro de impostos. Depois que ela foi construída, houve uma outra votação decidindo que não valia a pena os nossos dólares de impostos serem utilizados para finalizar a construção. É uma prisão nova, que nunca teve um único preso. Uma vez que vimos o local, tivemos certeza de que ali era o lugar perfeito para gravar. Nosso produtor, Ethan Black, trabalhou incansavelmente para conseguirmos filmar lá. Isso fez com que o filme ficasse melhor do que imaginávamos. Somos gratos a ele.

CA - Sendo o filme inspirado na luta de sua mãe contra o câncer, por que você escolheu um suspense de ficção-científica para fazê-lo, ao invés de um drama, como uma pessoa "normal" faria?
Todd - Ha. Engraçado. Alguém me fez esta pergunta no festival e o público deu várias risadas. A resposta é simples. Eu sou estranho, eu acho. Eu sempre lidei com a tragédia de maneiras estranhas. Acho que eu sempre lido com tudo na minha vida de forma única. Eu filtrei essas coisas no meu cérebro de modo estranho e “cuspi” a ideia de Cell Count de forma criativa. Então, sim. Eu não sou uma pessoa normal.

CA - Quais foram as maiores dificuldades que você enfrentou, incluindo os efeitos especiais?
Todd - Anos atrás eu tive reuniões com Christina Kortum sobre efeitos especiais e sangue falso. Essas ideias ficaram na minha cabeça por anos e ela (Christina) as traduziu magnificamente para a tela. Sem ela e o artista digital Mike Prosser, o filme não teria funcionado tão bem como ficou. Eu gosto muito de colaborar com artistas incríveis que estão se esforçando para serem o melhor no que fazem. Fui abençoado para trabalhar com alguns dos atores mais talentosos neste filme. Sem eles, sinceramente, eu não sou nada.

CA - Nos créditos, a “Produção” é mostrada como "Freeman Brothers". Como é seu relacionamento com seu irmão em suas produções e quais são as funções assumidas por ambos?
Todd – Bem. Por anos a nossa empresa de produção produziu ambos roteiro e direção, por mim e meu irmão Jason. Cell Count foi escrito e dirigido por mim e ele co-produziu e co-dirigiu o filme. Com sua produção mais recente “The Weather Outside” chegando aos festivais ainda este ano, ele escreveu e dirigiu e eu co-produzi e co-dirigi. Temos criatividades muito semelhantes. Não precisamos de muita comunicação em palavras. Nós viemos do mesmo universo no filme, não necessariamente contando histórias deste mundo.

CA – Cell Count tem um final em aberto para uma sequência. Você irá produzi-la? Já tem uma idéia sobre como será? Será seu próximo projeto ou há algum outro em vista?
Todd - Nós estamos esperando para fazer uma sequência de Cell Count. Ela foi deixada em aberto apenas para decidirmos se podemos fazer algo que seja bem divertido com esses personagens e temas. Eu tenho escrito algumas coisas sobre a próxima história e tenho várias páginas de roteiro escrito, mas nada de concreto. Eu posso lhe dizer que ele é chamado de Cell Count II: 100 Miles of Bad Road. Estamos atualmente desenvolvendo duas produções ainda para este ano. Um é baseado em um dos livros de nosso pai, The Rest of Us. O outro é de Jason (Freeman) e eu, o primeiro roteiro original escrito por nós dois, chamado de "Devil Rides Shotgun". Nós vamos co-dirigir os dois filmes.

            Cell Count conta a história de Russel Cameron, que faz de tudo para conseguir curar sua esposa de uma doença mortal. Ambos aceitam um tratamento experimental de um médico que diz já ter sofrido da mesma doença e sobrevivido. Eles ficam internados em um hospital/prisão, junto de outros pacientes que também procuram a cura do mesmo mal. Mas há algo de maléfico por trás de tudo e eles devem permanecer unidos para sobreviverem.
            Veja abaixo o trailer e depois a última parte da entrevista com João Pedro Fleck, o criador e organizador do Fantaspoa, contando com o “Shout Out“ do próprio Todd E. Freeman para os leitores do Cinema Arregaçado.





27/07/2012

Ennio Morricone, O Mau e o Feio


Clique para ouvir a música enquanto lê.


Sem dúvida, Ennio Morricone é um dos maiores compositores de trilhas sonoras da história do cinema, tendo contribuido com mais de 500 obras para televisão e cinema. Ficou conhecido mais pelas trilhas de western spaghetti de Sergio Leone, seguindo uma longa data de parceria com o cineasta.
Nascido em Roma em 1928, começou a tocar trompete aos 9 anos e aos 18 anos recebeu seu diploma no instrumento na Academia Nacional de Santa Cecillia. Morricone logo ficou reconhecido na região por compor trilhas para radionovelas e logo migrou para o cinema.
Em 1950 recebeu seu diploma de “Instrumentação de Banda”, necessário para reger orquestras. Logo depois, com seu trabalho de composição, chamou a atenção de seu antigo amigo de escola, o cineasta Sergio Leone, que convidou-o a compor as trilhas de seus filmes de maiores sucessos.
Na parceria com Sergio Leone, Morricone compos as trilhas de Por Um Punhado de Dólares (1964), Por uns Dólares a Mais (1965), Três Homens em Conflito (1966), Era Uma Vez no Oeste (1968) e Era Uma Vez na América (1984). Além da contribuição para Leone, Morricone compôs trilhas para outros sucessos do cinema como O Exorcista 2 (1977), Lobo (1994) com Jack Nicholson como o lobisomem, O Enigma do Outro Mundo (1982) de John Carpenter e Bastardos Inglórios (2009) de Quentin Tarantino.
Apesar de ter sido indicado cinco vezes ao Oscar, nunca ganhou o premio em sua categoria, recebendo somente em 2007 o premio honorário pelo conjunto da obra pelas mãos de Clint Eastwood, além de inúmeros outros prêmios de composições em festivais do mundo todo, como o BAFTA e o Globo de Ouro.

23/07/2012

Abrigue-se!

            Desde Cesare servindo de fantoche para o Dr. Caligari, as psicopatias tem servido ao Cinema. Das obsessões de Travis Binckle aos acessos psicóticos de Norman Bates, da doença o personagem de Al Pacino em "Insônia" a esquizofrenia do protagonista de Clube da Luta (1999) - spoilers, ops. Os mistérios da mente sempre foram um campo fértil para muitas historias.
            De todas estas, a esquizofrenia talvez seja a que mais rende, pois os sintoma mais característico da doença, a alucinação, permite que um cineasta dê vazão a torrente audiovisual própria da sétima arte. Porém, é necessário a mão de um diretor talentoso e de um roteirista sem medo de tornar o filme complexo, para a doença não ser retratada de forma simplista como "o protagonista é o assassino, te pegamos!", como diversos longas atuais fazem (vide Amigo Oculto (2004) - spoilers novamente). 
            Felizmente, o caminho trilhado pelo protagonista de Take Shelter (2011) - que saiu por aqui como O Abrigo - é dos mais emaranhados: a história de um homem obcecado com as visões que tem de uma tempestade iminente e que se vê obstinado a construir um abrigo subterrâneo em sua propriedade é conduzido de forma magistral. Jeff Nichols, neste seu segundo longa, subverte um pouco o clichê cansado do "foi tudo um sonho" dando diversas pistas durante o filme que fazem o espectador genuinamente se perguntar qual é a natureza do que Curtis, personagem de Michael Shannon, vê. 
            Shannon, cuja única outra interpretação que lembro está em Foi Apenas Um Sonho (2008) - e lembro dele se destacar neste filme - leva basicamente o filme nas costas, carregando o semblante da extrema confusão que seu personagem se encontra, de forma magnífica. Jessica Chastain, que também teve outro papel de mãe em A Árvore da Vida (2011) de Terrence Malick, mostra a mesma leveza que naquele longa, numa relação de "proximidade distante" sempre evidente com o marido.


            O Abrigo é um filme que mantém as suas próprias regras intactas do início ao fim, sem apelar para soluções de última hora para solucionar a trama. O final, apesar de surpreendente, não contém aquela carga de surpresa de filmes como Sinais (2002) - filme ao qual O Abrigo me remete em clima, mas apenas isso; estamos falando aqui de um filme muito superior - porque todas as pistas já estão ali. Mesmo assim, a direção absolutamente segura nos faz trocarmos uma teoria por outra sem nos sentirmos enganados por alguma mudança abrupta da lógica do longa.
            É interessante notar também, como o filme faz uso de efeitos de computação gráfica de forma eficaz, sem tirar o clima de seriedade da história. É o tipo de coisa que justifica o uso dessa tecnologia, como auxílio em tornar possível detalhes e cenas que não seriam viáveis de outra forma e não como muletas para apoiar uma narrativa inteira.
            Tão absorvente e inquietante como outras obras sobre um tema parecido, Alucinações Do Passado (1990), O Abrigo é uma das obras mais significativas sobre o que chamamos vulgarmente de "loucura" e merece ser visto por todos que remotamente se interessem pelo tema. É um filme em que cada segundo é bem pensado e construído, com detalhes da primeira cena se repetindo na última de forma a até deixar arrepiado o espectador mais atento.

            Assista ao trailer e bom filme!


Arrombacast EP 02, parte 3 - Entrevista com João Pedro Fleck

          Demorou mas chegou!
          A terceira parte da entrevista com João Pedro Fleck, que junto de Nicolas Tonsho é o criador e organizador do Fantaspoa, o Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre.
          Nesta terceira e última parte, JP fala sobre os possíveis convidados especiais para as próximas edições e como é o convívio com seus ídolos que vieram a convite para o festival. Conheça o momento mágico onde Stuart Gordon canta blues e torça para os possíveis cineastas convidados para as próximas  edições do festival.
          Caso não tenha visto as entrevistas anteriores, veja aqui a primeira e a segunda parte desta ótima entrevista.

19/06/2012

Arrombacast EP 02, parte 2 - Entrevista com João Pedro Fleck

            Demorou mas chegou!
            Trazemos agora a segunda parte da entrevista com João Pedro Fleck, um dos fundadores e organizadores do Fantaspoa, o Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre.
            Agora, JP fala um pouco sobre a organização das salas de cinema e seus horários. Fala também sobre os possíveis novos convidados internacionais nos próximos anos, levando em conta a edição de 2014, que compreende o décimo ano de festival.
            Recoste-se na cadeira, banco ou poltrona e clique no joinha para nos apoiar.



08/06/2012

John Williams e o Jazz de Indiana Jones


Clique para ouvir a música enquanto lê.


Nascido em 1932 em Nova Iorque, estudou música na Universidade da Califórina em Los Angeles. Em 1952 foi convcado para a Força Aérea dos EUA, onde contribuiu com composições para a Banda Marcial da Força Aérea. Depois de sua saída da corporação, Williamns estudou piano e, com uma banda de jazz, tocou em vários clubes de sua cidade natal.
Seu primeiro trabalho no cinema foi com o filme Daddy-O (1958), onde ficou reconhecido por Hollywood por sua versatilidade com composições de jazz. Sua primeira indicação ao Oscar foi com o filme Valley of the Dolls(1967). Passou a ser indicado em praticamente todos os anos subsequentes, recebendo seu primeiro prêmio com o filme Um Violonista no Telhado (1971).
John Williams é conhecido por sua parceria com Steven Spielberg desde o início da carreira do diretor, com seus primeiros filmes como O Expresso Sugarland (1974) e Tubarão (1975), onde ganhou seu segundo Oscar. Outros filmes que lhe renderam o prêmio foram Star Wars (1977), E. T. – O Extra-terrestre (1982), Indiana Jones (1981), A Lista de Schindler  (1993).
Dentre alguns dos maiores clássicos compostos por John Willians, podem ser citados Superman: O Filme (1978), Esqueceram de Mim (1990), Stargate (1994), O Resgate do Soldado Ryan (1998), O Patriota (2000), a febre da juventude da década passada, Harry Potter e A Pedra Filosofal (2001) e sua continuação A Câmara Secreta (2002) e praticamente todos os outros filmes de Steven Spielberg e seu amigo George Lucas.
Além de compor para o cinema, Williams faz trilhas para jogos da saga Star Wars, documentários e series para televisão. Dentre seus próximos trabalhos, podemos citar uma das estréias de 2012, Lincoln, mais uma parceria entre o compositor e o diretor Steven Spielberg.

06/06/2012

Red Lights


            A exploração de novas ideias para filmes de suspense tem se superado nos últimos anos. Paralelamente aos remakes e continuações de filmes de suspense e terror já saturados, um vasto número de obras deste gênero tem se revelando com um potencial de grande sucesso. Aliado a grandes nomes no elenco, Red Lights é um destes títulos que certamente irão fazer o público suar frio nas poltronas do cinema.

            Na trama, uma professora de psicologia, interpretada pela nossa querida Sigourney Weaver, que aliada ao seu assistente, representado por Cillian Murphy, o Espantalho de Batman Beguins, buscam desmascarar supostas anomalias psíquicas. Durante à investigação, a dupla se depara com o personagem de Robert De Niro, um vidente reconhecido mundialmente, que reaparece misteriosamente depois de passar trinta anos desaparecido. A curiosidade do elenco fica com a jovem Elizabeth Olsen, a irmã caçula da dupla "do barulho que apronta altas confusões na sessão da tarde" Mary-Kate e Ashley Olsen.
            Em uma divulgação do filme, Weaver explica o que são as Red Lights do filme em um vídeo interativo onde o espectador deve clicar nos acontecimentos estranhos no que se passam atrás da atriz.
            Red Lights ainda não tem data para lançamento no Brasil. Só nos basta torcer para que invistam em uma distribuição aqui em nosso humilde país.





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